7 de janeiro de 2013

Através do espelho com Clarissa Corrêa


A gaúcha Clarissa Corrêa é escritora, redatora publicitária e dona de uns textos de tirar o fôlego. É libriana, tem uma coluna no site da Revista Tpm e três livros publicados. Dona de uma sensibilidade e um talento incrível, ela nos mostra como começou a se apaixonar pela escrita e conta quais são seus planos para 2013. Será que vem mais um livro por aí? Ela conta tudo! 
                                    
L.L:   Assim como você e seus textos são influência para muitas pessoas, creio que um dia alguém te influenciou. Quem é esta pessoa? E o que ela tem ou tinha de tão cativante que te motivou a não desistir no primeiro não?

C.C: Então, na verdade o que me influenciou foi aquela força que todo mundo tem lá no fundinho. Eu recebi muitos "nãos". Mas percebi o quanto eles são importantes para que a gente aprenda a lidar com os "sins".  

L.L:  Como concilia a rotina de redatora publicitária e escritora de textos poéticos que rodam o Brasil de uma forma única e que prendem o leitor fazendo com eles se identifiquem bastante com tudo que escreves?

C.C: Eu trabalhava em agência de propaganda até o ano passado. Era bem mais complicado. Hoje eu sou freelancer, então faço os dois trabalhos de casa. Com isso, tenho mais tempo para me dedicar aos meus projetos novos. 

L.L:  Você prestou vestibular para Turismo (e passou), tentou seguir a carreira jurídica, também fez alguns anos de psicologia e logo descobriu que sua intimidade era mesmo com as palavras. Sua família entendeu essa mudança? E como foi pra você essa passagem do “formal” para a leveza e a espontaneidade que tem as (suas) palavras?

C.C: Fiz o primeiro vestibular só pra "ver como era". Tentei Turismo, na PUC-RS. Passei. Meu pai queria que eu fizesse um semestre pra pegar o ritmo da faculdade, mas eu não quis. Na verdade, sempre quis Psicologia. Então, fiz cursinho e vestibular novamente. Passei em Direito, na Unisinos. Então resolvi cursar um tempo pra ver se eu ia gostar. Fiz três anos e não me identifiquei com nada daquilo, a única parte que eu gostava era Direito Penal. Fiz vestibular novamente, para Psicologia, na Unisinos. Passei. Eram cinco anos, fui até o quarto. Chegou um ponto em que eu comecei a questionar uma série de coisas, como, por exemplo, o fato de poucas pessoas receberem alta. A maioria enche o saco e resolve parar a terapia. Isso fez com que eu começasse a refletir sobre a eficiência dos tratamentos oferecidos hoje em dia. Por isso, tranquei. Na época, tinha um curso (que também era graduação) chamado Formação de Escritores e Agentes Literários. O coordenador era o Fabrício Carpinejar. Achei que tinha tudo a ver comigo, afinal, eu já escrevia há tempos. Consegui pedir transferência, fiz o curso e me formei no final de 2008. A minha família quase me matou, meu pai enlouqueceu, queria que eu terminasse de uma vez algum curso. Foi uma época bem complicada, mas no final das contas ele e minha mãe me deram apoio. Quando eu estava no "último curso", comecei a trabalhar com propaganda. Foi uma descoberta bem bacana. Pra mim a passagem foi tranquila, pois eu sempre escrevi. 

L.L: Seu terceiro livro “Para Todos os Amores Errados” arrancou lágrimas de muitos leitores por falar de amores que não deram certo e foi o livro que mostrou seu lado mais sério, já que em seus textos você sempre utiliza humor para retratar as gafes e as descobertas da vida. Foi difícil pra você escrever algo tão diferente do que é de costume? E qual trecho do livro você mais gosta?

C.C:  Não foi difícil, não. Acho que o escritor precisa ser versátil, saber vestir várias fantasias. Eu tenho um livro infantil muito fofo, que deve ser publicado em breve. Também tenho outros projetos com uma pegada bem diferente do que costumo postar no site. Essa é a grande graça, né? O "Para todos os amores errados" é um livro muito especial pra mim. Não consigo te dizer o meu trecho preferido, eu gosto dele inteiro. É um projeto que deu certo, tanto que o livro foi reimpresso em dezembro de 2012, já está na segunda edição.

 L.L:  Você imaginaria que criar um blog mudaria tanto a sua vida? E qual é a sensação de “estar conseguindo” ou “ter conseguido” a realização de alguns sonhos, mesmo que muitas pessoas ousassem dizer que você não seria capaz?

C.C: Eu criei um blog em 2005. No começo, era uma coisa pessoal, era pra mim, sabe? Daí uma pessoa começou a ler, outra também. A coisa foi indo, foi se espalhando. No começo, era do Terra. Depois eu troquei para o Blogspot. Comecei a gostar de ser lida, já que antes eu escrevia e guardava tudo em cadernos, blocos e gavetas. Não sei te dizer como aconteceu, mas aconteceu. Sempre quis publicar um livro. Em 2010, publiquei "Um Pouco do Resto", pela Editora Multifoco. Posso te dizer que é bom demais realizar um sonho. E dá um medo danado. Hoje o blog é um site, é mais profissional, mais bonito e bem mais acessado que em 2005, hehe. 

L.L: O que é “ter disciplina” na vida, na carreira e nos relacionamentos pra você? É algo que as pessoas já nascem com, ou vão adquirindo de acordo com o tempo? E no que te falta disciplina? 

C.C: Todo mundo nasce com alguma motivação. É nisso que acredito. Eu nasci com uma missão. Fui crescendo e aprendendo, me moldando, formando a minha personalidade. Isso acontece comigo, contigo, com todos. Mas aos poucos a gente vai criando disciplina, vai montando a rotina, vendo o que é prioridade, ajeitando a agenda, etc. Ter disciplina pra mim é conseguir fazer as coisas com seriedade, com atenção e com carinho. Me falta disciplina na hora de arrumar o guarda-roupa. Sou um desastre, a bagunça em pessoa.

L.L: Escritores são rodeados de sonhos e desejos. Como qualquer pessoa, um dia você deve ter pensado em mudar o mundo. Mas e se você pudesse mudar o mundo, por onde começaria?

C.C: Começaria pela cabeça das pessoas. A maioria pensa somente no próprio bem-estar. Não olham para o lado, não enxergam o outro. O egoísmo impera. Acho triste.

L.L:Vem mais algum livro por aí? Conte quais são os próximos planos a partir de agora.

C.C: Vem, vem. Tive a sorte de ter um livro por ano: 2010 foi o "Um Pouco do Resto", 2011 "O amor é poá" e no ano passado o "Para todos os amores errados". Em 2013 mais coisas virão. Infelizmente, eu ainda não posso falar nada, mas tem muitos projetos legais em andamento.

L.L:  Clarissa, muito obrigada por disponibilizar esse tempinho pra mim. Muito sucesso pra você, muita saúde, muita paz e muita inspiração, viu? Que todos nós possamos desfrutar desse seu maravilhoso dom por muito tempo!

C.C: Eu é que agradeço o carinho. Muita alegria, amor, sorte, saúde e paz em 2013. Beijos.


Nota da autora: Através do Espelho é a grande novidade do blog. Nessa tag, só estarão escritores que me influenciam e que estão fazendo muito sucesso Brasil a fora. Espero que gostem, amores. Beijinhos! 

4 comentários:

  1. Interessante, não a conhecia.
    Obrigada pela visita.

    PS: Não sei se é o meu pc, mas esse foi o unico texto que tive facilidade para ler os a baixo estavam quase imperceptíveis. Acho que seria legal por uma fonte mais forte.


    Beijos e o blog tá de parabéns.

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  2. Olá...
    Obrigada pela visita e carinho.
    O meu Blog é como um Baú de Preciosidades, para mim... A Clarissa Corrêa esta sempre por lá, é uma das minhas preferidas.
    Teu espaço também é maravilho, parabéns.

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  3. Acredito sempre em autores brasileiros e gosto muito de descobri-los por aí.
    Gostei da entrevista!

    Beijo

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