20 de setembro de 2012

Todas as minhas viagens até você


"Só  me desculpa se eu te olho às vezes, eu te transformei nessas palavras, só pra te certeza de que nunca sairá de mim."
                                         
Já faz um tempo que tenho andado em multidões e tenho feito de mim o bom humor em pessoa. E até no balanço do ônibus, eu vejo soar uma melodia. E porque não me apaixonar ali e não ter que levar além?  Vou te contar um segredo... Acho que isso aconteceu, uma ou duas vezes... Ele parecia olhar pra mim enquanto eu olhava pela janela e quando eu olhava pra ele... Ele só estava tentando se equilibrar.

Tinha sempre alguém pedindo com licença e ele sempre tinha que sair de lá. Mas o bom é que ele voltava. E eu era eternamente agradecida todos os dias pelo ônibus cheio e também por ele entrar no ônibus, num ponto em que já não havia lugares, porque só assim, viria em pé. E seguraria no meu banco... Mas vez ou outra, ele se segurava em outro lugar e minha consciência pesava, fazendo a mesma pergunta, várias vezes:

“Será que a gente brigou e ele se esqueceu de me contar? Porque ele se manter longe não é normal, já que sempre fica aqui e que às vezes mesmo quando tem lugar, prefere não sentar. Prefere encarar o fim da viagem, em pé. Será que a gente brigou e ele se esqueceu de me contar? Será...?”

Geralmente, os olhares se esbarravam, mas a gente nunca quis que eles continuassem assim. Em essência, eu sentia minha mente se conectar à dele e imaginava o que ele estava pensando, mas o problema é que nunca consegui concluir se ele me achava maluca, ou maluca demais por me interessar por ele.

A viagem era longa, mas parecia que o ônibus voava enquanto eu tentava descobrir algo sobre ele e quando dou por conta, já chegamos. O silêncio do motor me dava náuseas, porque era como se eu sentisse o gosto do fim.

O fim já não é bom, imagina o gosto do fim.

Ele desce. Logo depois, eu desço. Ele segue um caminho pela minha imaginação e eu sigo para a escola. Ele olha pra trás – não pra ter certeza que de vou para um caminho oposto, mas só para certificar-se de que nenhum mal o acompanha – e só aí, que a gente se separa. Eu o esqueço e reconheço que foi bom enquanto durou.

8 comentários:

  1. Comentar suas obras é uma tarefa muito difícil para um leigo no assunto, mas você tem um dom, um dom de fazer minha imaginação funcionar, de me sentir parte da história, de sentir o balanço do ônibus, como um expectador, como você, como o tão querido misterioso, não importa a forma, sei que estou lá ! E é essa a essência de uma verdadeira escritora, uma essência que já nasceu com você, e é o seu destino coloca-la em prática e fazer tantos outros sentir o balanço do Ônibus que percorre essa viagem sem fim... Parabéns s2

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  2. que lindinha!
    adorei o texto... e você, sempre se apaixonando pelas pessoas mais diferentes nos lugares mais inoportunos

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    1. É que a realidade pede um pouco de ficção, né?

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  3. Awn, adorei! É Lyv... você sempre transformando sua realidade em textos super legais de ler. Parabéns!
    Beijos.
    http://achadoseperdi-dos.blogspot.com.br

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  4. Ameii :D , bem coisa de gente fofa !

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  5. Quem me indicou seu blog foi o Jean e eu adorei!
    Você escreve muito bem!
    Me identifico com esses textos de caráter poético e você transmite uma delicadeza tão grande em cada frase que fica impossível não gostar, não se imaginar no seu lugar, não se identificar...
    Estou seguindo seu blog, assim que der estarei de volta.
    Beijos

    oiflordeliz.blogspot.com

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  6. Olá!!!

    Li o primeiro post e não consegui parar mais... Adorei o seu blog!!!
    Voltarei sempre!!!

    Beijos!!!

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