21 de julho de 2012

Um voo em superfície

Para ouvir: Childhood - Yann Tiersen

Pus os fones e comecei a imaginar como seria se você estivesse aqui. Volume 14, silêncio absoluto na sala de estar e paz. Estacionei meu corpo no sofá pequeno e minha cabeça no braço dele. Não é o que aparenta, mas eu estava confortável. Tirei os sapatos e os coloquei juntos no canto da parede. As meias permaneceram. Meus cabelos foram soltando sozinhos, desmanchando o coque de rotina. Afrouxei o laço e o coloquei em cima da mesa de centro.

Apertei o play e fechei os olhos.

É hora de voar.

Lutei contra minha falta de concentração e baixinho fui cantarolando ao mudar de posição no sofá. Quando enfim encontro a posição adequada, a música recomeça e você me tira pra dançar. Dou conta que meu vestido está um pouco amarrotado e passo a mão para ver se algo melhora. Não adianta muito. Você bloqueia meus sentidos e diz baixinho que continuo linda.

Eu sorrio.

Você arrasta a mesinha de centro e ajeita o fraque que veste e do nada passeia as mãos no meu rosto puro. Você elogia meu perfume e se surpreende ao saber que meus saltos são bem menores dos que costumo usar.

Sem querer seu olhar esbarra no meu. E assim ficamos rodopiando a sala. Eu não sei dançar e não sei como nossos passos estão se encontrando. Você me ajuda a dar um giro completo, ao redor de mim mesma e assim caio nos seus braços devagar deslizando minhas mãos no seu corpo. Você me levanta e eu tranço minhas pernas na sua cintura. Estou firme. Solto minha mãos e deixo você me levar de acordo com as notas musicais. Você sussurra baixinho no meu ouvido que sou uma ótima bailarina e me faz rir de um jeito desesperado como só eu sei.

Nós pousamos. Dei um laço direito na sua gravata, ajeitei o arrepiado do seu cabelo e entrelaçamos os braços formando um abraço. Demorado. Gostoso. Quentinho. Confortável.

Você sentou na almofada do sofá de cor escura e bagunçou a renda que o cobria. Puxou-me delicadamente pela cintura e me pôs no seu colo. Tirou o cabelo dos meus ombros e fez um passeio dando beijos até a minha bochecha.
Arrepiei.

Você me fez cafuné e eu coloquei meu rosto entre seus ombros e seu pescoço. Eu digo mais uma vez o quanto amo o cheiro de café que fica em você depois de dar uns goles na xícara que fica no balcão. Você morde minhas bochechas e logo morde meus lábios também. Enfim, nossas bocas se encontram e...

Abro os olhos assustada, e devagar vou voltando a pior realidade em que fui condenada a viver. 

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Como podem perceber não sou uma escritora muito pontual e eu até tento mudar isso, mas é um defeito desses que se você cortar, desaba tudo, sabe? Peço perdão de verdade, mas juro tentar melhorar. 

Ps: Não é a melhor coisa que escrevi, mas gostaria que soubessem que meus piores textos são enviados àqueles que terão paciência para ler e que sempre me darão força para tentar melhorar. ^^
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4 comentários:

  1. Anônimo4:14 PM

    Fui imaginando cada coisa que lia, cada passo.
    Realmente lindo.


    Heloisa

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  2. Achei mágico o que escreveu. Me transportei pra seu lugar, parece que vivi cada momento. Lindo, parabéns!

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  3. Anônimo5:58 AM

    adorei ,me transportou para outra dimensão! Parabéns!

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  4. Logo no começo percebi que você estava descrevendo um daqueles momentos (também os tenho) em que a gente se alimenta aos montes com os sonhos-acordada, os devaneios. Já passei muitos minutos dos meus dias fazendo isso, era/é agradável, ajuda a atravessar os dias chatos, cansativos e vazio, mas sempre me lembro: Quem espera que a vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco ou morrer na solidão.
    Então acordo e vou espontaneamente-contra-a-minha vontade viver a realidade.
    É o que temos pra hoje.

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Conta pra mim o que achou, vou adorar responder.