22 de abril de 2012

O Menino do Circo - Parte IV



O clima amanhecera ensolarado e insuportável de lidar e tudo piorava quando Eduardo fugia da realidade para entrar também nos meus devaneios e nas minhas fantasias, sem qualquer permissão.

Desde ontem que não me sai da cabeça o fato dele ter que partir. Afinal, porque sempre tenho que me despedir daquelas pessoas que mais preso que fiquem? O pior de tudo é que além de saber que ele um dia iria embora, eu preferi evitar.

Logo levantei e preferi parar de perder tempo e ir vê-lo logo, porque ao mais tarde às seis da tarde, ele voltaria para estrada, para o balanço bom do ônibus colorido e provavelmente se colocaria a descansar até chegar, sabe-se lá aonde. Colei minhas sapatilhas, fechei o vestido rodado e apertei o laço que prendia o coque do cabelo, corri para sentir o cheiro dele, sentir a pele dele.. Corri para ver se restava tempo para grudá-lo em mim.

Olho fixamente para o campo onde o circo estava e vejo que a realidade é realmente uma das piores coisas que puderam inventar. Quase tudo está desmontado.

Tudo menos o meu sentimento pelo Eduardo.

Mudo o rumo e vou para rua ao lado já que nós marcamos aqui. Sem perceber meu rosto é coberto por lágrimas, que borram toda a minha felicidade de dias atrás.

Avisto-o e corro para o abraço mais quente e consolador que encontrei até hoje. Sinto teu perfume se espalhar no ar e tua mão corre o meu rosto estacionando em meu queixo me propondo o melhor beijo que alguém pudera receber. Nossos corações pulsam juntos, os lábios dele, tão macios e bem desenhados curam o ressecamento infinito do meu. Enfim, nossas mãos se encontram e ao distanciar nossos rostos, uma saudade palpitava forte até completarmos este ciclo, várias e várias vezes, quando ele me olha e diz:

–Eu poderia ficar aqui hoje, amanhã... O tempo que for até ter certeza que te ganhei completamente.

O interrompo com convicção de que nenhum tempo junto dele, será capaz de acalmar a saudade.

–Eu não queria, Sara, mas acontece que eu sou um menino de circo.                                                                                                
–E todo circo troca de lugar. – logo, ele me olhou e me pôs em seu colo, então continuei. – Não sei lidar com despedidas.                                                                                                                                                           –Eu também não.                                                                                                                                                                                                    
–Mas você está acostumado.                                                                                                                                                                                  
– Tempo nenhum faz a gente se acostumar com despedidas. Ainda mais quando a gente encontra a pessoa certa, dessas que vale a pena amar. – Perco-me nos pensamentos sobre esta última frase, ele acabou de dizer que me ama, mesmo que indiretamente? Se for, eu o amo também, mesmo que isso continue em silêncio. – Nós sairemos daqui quando faltar um quarto para as cinco, papai mudou a rota porque temos uma longa estrada pela frente.
 Como vai ser nós dois daqui pra frente?                                                                                                                                                                   
Vai ser a lembrança mais doce e bonita que alguém algum dia pôde me dar.                                                                                                        
Só lembrança?                                                                                                                                                                                                                    
Você reconheceu meu sorriso uma vez, eu tenho certeza que vai reconhecer de novo quando a gente se encontrar no futuro.                                                                                                                                                                                                                             
A gente vai se encontrar no futuro?                                                                                                                                                        
 Claro que sim. A direção muda, mas o destino não.

Agora eu sei que o parágrafo termina, mas a história continua. Sei muito bem que essa é a melhor lembrança. O melhor ruído de saudade. E que há de ser o melhor reencontro, em algum tempo distante. Desde bem pequena, eu queria aprender a voar e Deus colocou alguém que me deu esta virtude. Eduardo, o Menino do Circo, aquele me ensinou a levantar voo, aquele que mostrou a mim e a minha teimosia que despedidas, não são finais.  

Eduardo, você está livre novamente, livre pra voar e pra viver... Porque o nosso futuro, a Deus pertence. 


____________________________________________________________________________Não é possível saber se este é o fim. Algum dia eu tomarei coragem para continuar este conto. Me perdoem por não postar com frequência, eu sumi, mas estou de volta e o blog está transbordando coisas legais para serem publicadas.  Senti saudades, meus lindos. Você acham que devo continuar este conto? Deixa um comentário com tua opinião. Vou responder tudo com muito carinho. 
Beijos!
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8 comentários:

  1. aaaaaaaaah que lindo *-*
    continua sim escrevendo esse conto . tá lindo de mais , parabéns !

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    1. Obrigada Clara, flor.

      Lembranças.

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  2. Anônimo12:21 PM

    Certamente PERFEEEEEEEEEEEEEEEEEITO *-------* s2
    por: karina ferreira ;*

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  3. Lindo demais, por mim eu ficaria horas lendo as tuas histórias. Parabéns lyv.
    Beijos :*

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    1. Helô, pequena. Adoro quando você diz que gostou de algo meu. Você me passa confiança e força pra continuar escrevendo.

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  4. Que. Coisa. Mais. Linda! Estava quase chorando no final... Amei! Não precisaria continuar se não quiser, porque ele está perfeito. ♥

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    1. Obrigada, Alice.

      Lembranças.

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Conta pra mim o que achou, vou adorar responder.