9 de novembro de 2011

Partindo sem deixar de amar


Essas chuvas de novembro começaram junto com a tempestade de todos os meus sentimentos, que mesmo escondidos atrás de um sorriso sincero desmoronam, uma vez ou outra. Apesar de ter dito que estaria com ele sempre, senti-me no direito de afastar nossas mãos, deixar o vento correr entre nossos dedos e apenas abraçá-lo quando ele precisar. Não é porque somos diferentes. É porque sempre fomos incompletos. 

Ele sempre me abraçou depois das apresentações de balé, porque sabia que meu sorriso enfim, resultaria uma grande dor nas pontas dos pés. Quando dormíamos juntos, sempre levantava antes das oito e fazia o café, bem amargo, retirando meu nó na garganta, de algum pesadelo anterior. E agora que nossa única ligação se tornou um vício diário – aquele de ter um ao outro – as coisas já estavam gastas e honestamente confusas para uma menina, que nem sempre desejou ser ajudada. Não por ele.

Tom confundia meus sonhos com um filme de Hollywood. Então, aprendeu a vivê-los por mim.

Seu orgulho de ter ao lado uma menina comum de uma cidade do interior, que não descansava nem dormindo, tornou-me a parte mais importante de sua vida. Provavelmente toda menina amaria a ideia de ter um menino, amante de literatura daqueles que não se importam com hora, mas que se importa com o que seu pai vai achar se você chegar tarde. Um menino que não te manda flores, mas te manda um convite discreto para um jantar a dois e que é tão profundo nas palavras que chega a tropeçar nos seus sentimentos de-vez-em-quando. Toda menina amaria um menino desses vivendo por ela, mas como já foi dito, eu era diferente.

Mais do que qualquer pessoa possa perceber, eu queria lutar sozinha e queria apenas a companhia dele para não me sentir sozinha, caso algo desse errado. Eu gostava de tentar. Principalmente de tentar realizar os meus sonhos, já que muito antes dele chegar alguns habitavam em mim. Desejava compartilhar com ele o que eu conseguisse, minha felicidade, minhas descobertas... Minhas decepções ao tentar. Mas não desejava que ele corresse atrás do sonho para mim.

Por isso o deixei, mas isso não significa que deixei de amar.

Desde a última vez que nos vimos – quando ocorreu o nosso fim – suas palavras ecoam em minha cabeça a cada segundo como se eu estivesse vivendo aquele momento novamente.

- Quem ama não abandona Amy. – disse, tentando esconder as lágrimas que molhavam e escorriam pelas mãos que tantas vezes já foram entrelaçadas nas minhas.

- Amar não significa que continuaremos juntos. Às vezes amar significa deixar partir, mesmo que doa, Tom. – Disse, enfim, escorregando minhas mãos das dele e seguindo até a porta.

Cometi o erro de partir e de fingir que não me importava com a distância que cercava nossas estradas, mas foi por um bom motivo... Os meus sonhos, aqueles que começam nas noites frias e não terminam nunca. Mas ele também cometeu o erro de não lutar por nós já que este era um dos meus sonhos, portanto, deixei com que o Tom escapasse e hoje sinto o vento frio correr ao redor da minha cintura. Não me reconheço mais. Aquela menina recheada de sonhos de uma cidade do interior... Ah, aquela menina... Ela se foi pra sempre.

4 comentários:

  1. "Amar não significa que continuaremos juntos. Às vezes amar significa deixar partir, mesmo que doa" Muito, muito, muuuuuuito lindo esse texto! Amei Lyvia (:

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  2. nossa livia, nem parece que vocÊ é tão novinha! escreve muito bem, me doa esse dom?? hahaha
    adorei o texto, adorei o blog, adorei tudo (: Parabéns!

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  3. Vocês do Le Alices, sempre me deixando com a bochecha rosada... viu. Obrigada! *-*

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