24 de fevereiro de 2013

Reticências


Abrace a vida com ombros largos e histórias com continuação. Não viva de pontos finais porque isso nem existe. Queira estar feliz independente do lugar ou da hora. Não deixe pra depois. Aos prantos você encontra seu ponto fraco, tua solidão e sorrindo você se descobre. Você entende que isso é só o começo e que existem muitos dias pela frente a serem trilhados. Ame-se. Também por tua beleza, teus belos olhos, teus cabelos naturais, mas ame tua capacidade de seguir adiante e de amar. O amor nos acompanha. Na vila, na avenida, na escada e na dor. É isso que vale! Ame tudo que te der vontade e quando acabar não pense em não amar novamente, porque o amor é um eterno reencontro de histórias perdidas da vida que precisam de um desfecho mágico. Basta acreditar. 

"(...) Ontem cê foi embora e eu prometi à mim que jamais me culparei: Não faltaram motivos pra você ficar, meu bem."

7 de janeiro de 2013

Através do espelho com Clarissa Corrêa


A gaúcha Clarissa Corrêa é escritora, redatora publicitária e dona de uns textos de tirar o fôlego. É libriana, tem uma coluna no site da Revista Tpm e três livros publicados. Dona de uma sensibilidade e um talento incrível, ela nos mostra como começou a se apaixonar pela escrita e conta quais são seus planos para 2013. Será que vem mais um livro por aí? Ela conta tudo! 
                                    
L.L:   Assim como você e seus textos são influência para muitas pessoas, creio que um dia alguém te influenciou. Quem é esta pessoa? E o que ela tem ou tinha de tão cativante que te motivou a não desistir no primeiro não?

C.C: Então, na verdade o que me influenciou foi aquela força que todo mundo tem lá no fundinho. Eu recebi muitos "nãos". Mas percebi o quanto eles são importantes para que a gente aprenda a lidar com os "sins".  

L.L:  Como concilia a rotina de redatora publicitária e escritora de textos poéticos que rodam o Brasil de uma forma única e que prendem o leitor fazendo com eles se identifiquem bastante com tudo que escreves?

C.C: Eu trabalhava em agência de propaganda até o ano passado. Era bem mais complicado. Hoje eu sou freelancer, então faço os dois trabalhos de casa. Com isso, tenho mais tempo para me dedicar aos meus projetos novos. 

L.L:  Você prestou vestibular para Turismo (e passou), tentou seguir a carreira jurídica, também fez alguns anos de psicologia e logo descobriu que sua intimidade era mesmo com as palavras. Sua família entendeu essa mudança? E como foi pra você essa passagem do “formal” para a leveza e a espontaneidade que tem as (suas) palavras?

C.C: Fiz o primeiro vestibular só pra "ver como era". Tentei Turismo, na PUC-RS. Passei. Meu pai queria que eu fizesse um semestre pra pegar o ritmo da faculdade, mas eu não quis. Na verdade, sempre quis Psicologia. Então, fiz cursinho e vestibular novamente. Passei em Direito, na Unisinos. Então resolvi cursar um tempo pra ver se eu ia gostar. Fiz três anos e não me identifiquei com nada daquilo, a única parte que eu gostava era Direito Penal. Fiz vestibular novamente, para Psicologia, na Unisinos. Passei. Eram cinco anos, fui até o quarto. Chegou um ponto em que eu comecei a questionar uma série de coisas, como, por exemplo, o fato de poucas pessoas receberem alta. A maioria enche o saco e resolve parar a terapia. Isso fez com que eu começasse a refletir sobre a eficiência dos tratamentos oferecidos hoje em dia. Por isso, tranquei. Na época, tinha um curso (que também era graduação) chamado Formação de Escritores e Agentes Literários. O coordenador era o Fabrício Carpinejar. Achei que tinha tudo a ver comigo, afinal, eu já escrevia há tempos. Consegui pedir transferência, fiz o curso e me formei no final de 2008. A minha família quase me matou, meu pai enlouqueceu, queria que eu terminasse de uma vez algum curso. Foi uma época bem complicada, mas no final das contas ele e minha mãe me deram apoio. Quando eu estava no "último curso", comecei a trabalhar com propaganda. Foi uma descoberta bem bacana. Pra mim a passagem foi tranquila, pois eu sempre escrevi. 

L.L: Seu terceiro livro “Para Todos os Amores Errados” arrancou lágrimas de muitos leitores por falar de amores que não deram certo e foi o livro que mostrou seu lado mais sério, já que em seus textos você sempre utiliza humor para retratar as gafes e as descobertas da vida. Foi difícil pra você escrever algo tão diferente do que é de costume? E qual trecho do livro você mais gosta?

C.C:  Não foi difícil, não. Acho que o escritor precisa ser versátil, saber vestir várias fantasias. Eu tenho um livro infantil muito fofo, que deve ser publicado em breve. Também tenho outros projetos com uma pegada bem diferente do que costumo postar no site. Essa é a grande graça, né? O "Para todos os amores errados" é um livro muito especial pra mim. Não consigo te dizer o meu trecho preferido, eu gosto dele inteiro. É um projeto que deu certo, tanto que o livro foi reimpresso em dezembro de 2012, já está na segunda edição.

 L.L:  Você imaginaria que criar um blog mudaria tanto a sua vida? E qual é a sensação de “estar conseguindo” ou “ter conseguido” a realização de alguns sonhos, mesmo que muitas pessoas ousassem dizer que você não seria capaz?

C.C: Eu criei um blog em 2005. No começo, era uma coisa pessoal, era pra mim, sabe? Daí uma pessoa começou a ler, outra também. A coisa foi indo, foi se espalhando. No começo, era do Terra. Depois eu troquei para o Blogspot. Comecei a gostar de ser lida, já que antes eu escrevia e guardava tudo em cadernos, blocos e gavetas. Não sei te dizer como aconteceu, mas aconteceu. Sempre quis publicar um livro. Em 2010, publiquei "Um Pouco do Resto", pela Editora Multifoco. Posso te dizer que é bom demais realizar um sonho. E dá um medo danado. Hoje o blog é um site, é mais profissional, mais bonito e bem mais acessado que em 2005, hehe. 

L.L: O que é “ter disciplina” na vida, na carreira e nos relacionamentos pra você? É algo que as pessoas já nascem com, ou vão adquirindo de acordo com o tempo? E no que te falta disciplina? 

C.C: Todo mundo nasce com alguma motivação. É nisso que acredito. Eu nasci com uma missão. Fui crescendo e aprendendo, me moldando, formando a minha personalidade. Isso acontece comigo, contigo, com todos. Mas aos poucos a gente vai criando disciplina, vai montando a rotina, vendo o que é prioridade, ajeitando a agenda, etc. Ter disciplina pra mim é conseguir fazer as coisas com seriedade, com atenção e com carinho. Me falta disciplina na hora de arrumar o guarda-roupa. Sou um desastre, a bagunça em pessoa.

L.L: Escritores são rodeados de sonhos e desejos. Como qualquer pessoa, um dia você deve ter pensado em mudar o mundo. Mas e se você pudesse mudar o mundo, por onde começaria?

C.C: Começaria pela cabeça das pessoas. A maioria pensa somente no próprio bem-estar. Não olham para o lado, não enxergam o outro. O egoísmo impera. Acho triste.

L.L:Vem mais algum livro por aí? Conte quais são os próximos planos a partir de agora.

C.C: Vem, vem. Tive a sorte de ter um livro por ano: 2010 foi o "Um Pouco do Resto", 2011 "O amor é poá" e no ano passado o "Para todos os amores errados". Em 2013 mais coisas virão. Infelizmente, eu ainda não posso falar nada, mas tem muitos projetos legais em andamento.

L.L:  Clarissa, muito obrigada por disponibilizar esse tempinho pra mim. Muito sucesso pra você, muita saúde, muita paz e muita inspiração, viu? Que todos nós possamos desfrutar desse seu maravilhoso dom por muito tempo!

C.C: Eu é que agradeço o carinho. Muita alegria, amor, sorte, saúde e paz em 2013. Beijos.


Nota da autora: Através do Espelho é a grande novidade do blog. Nessa tag, só estarão escritores que me influenciam e que estão fazendo muito sucesso Brasil a fora. Espero que gostem, amores. Beijinhos! 

30 de dezembro de 2012

(Em) Fim


          Cansei de encerrar ciclos e o melhor para isso é não entrar neles. Ainda vou me conformar de que as pessoas nunca estarão dispostas a me aceitar, até que eu mesma me aceite. E é aí que mora o perigo, eu tenho tentado de todas as formas ser o melhor pra mim, e ainda acho que é pouco, porque sei que posso ser muito melhor do que as pessoas acham que eu sou. E é por isso que, hoje, entra na gaveta de gafes tudo aquilo que saiu errado e ninguém tem o direito de tirar nada de lá, porque de todos os meus erros, o maior deles foi tentar agradar aos seres humanos. 




Um texto rápido e expressivo só para não deixar o fim de ano passar em branco. 2013 tá cada vez mais perto e não tenham dúvidas de que o blog tem muitas novidades (e não estou falando só de textos novos), estou falando de convidados maravilhosos que participarão aqui comigo. Feliz Ano Novo e nada de esquecer de passar aqui pra ver o que tá rolando, tá? Cuidem-se, fofuxos. 

Com amor, Lyv. 

25 de novembro de 2012

Preguiça de entender (Ou quase isso)



Era aceitável que eu me perdoasse pela falta de pontualidade ao chegar na sala de aula naquela segunda-feira preguiçosa, mas perdoar a professora por me fazer encontrar dezesseis livros de português pela escola – por falta de responsabilidade do resto da turma – não era nem um pouco aceitável.

Primeiro as escadas, aqueles longos degraus em que eu deveria encarar com a respiração firme, mesmo sabendo não ter sucesso fazendo esse tipo de exercício. Depois a vergonha de bater a porta e dizer em tom suave o por quê de estar atrapalhando a aula e por fim, carregar todos aqueles livros pelas escadas e correr o risco de ouvir reclamações da professora pela minha demora. Mas, aliás... O que eu poderia esperar de uma segunda-feira?

Antes de qualquer coisa eu precisei respirar e olhar pros lados para que não me pegassem fora da sala no horário de aula e então num movimento quase que involuntário, bati na porta da turma 101c e pedi aos céus que não houvesse ninguém ali dentro.

Foi um “toc toc” que ecoou meus ouvidos e me fez ficar mais irritada do que de costume e que aumentou em vinte vezes meu estresse quando vi a porta se abrindo causando um rangido irritante e que me deu nervoso nos dentes.

Pois não? - Disse bem lá no fundo uma voz calma e atenciosa.

Tomei coragem para olhar e encontrei o sorriso daquele menino bem ao fundo iluminando meu caminho. Ele não era tão velho... Mas era velho para estar no primeiro ano, mas isso não me espantou, apesar de ser uma boa escola, havia um grande número de repetentes e ele só seria mais um...

Pode falar. – Ele insistiu.

A verdade é que eu não queria falar com ele, era tão jovem e sadio que só de sentir meu coração com pulsamentos rebeldes, tinha medo. Eu queria encontrar um ponto fixo para olhar se os olhos dele não fossem tão viciantes e se... Não estivem cada vez mais perto.

Diga... Eu não tenho muito tempo. – Repetiu.

É que, eu preciso de uma ajuda. Mas eu preciso falar com o professor. - Disse, sentindo minha voz falhar.

Sem nem porque nem pra que, ele riu. Uma gargalhada gostosa que fez minhas pernas tremerem e meu coração disparar feito um cronômetro com defeito. Pude ver minha pela corar e meus olhos fecharem de tanta vergonha. Eu estava ali, frente a frente com aquele menino sem nome, sem idade e sem – até então – identidade. Quem ele era? Porque estava rindo? Será que eu estava me apaixonando e ele percebendo?

Pude ouvir o silêncio... É estranho, mas eu posso garantir. Ele veio pra fora e encostou a porta. Tive medo, vontade de beijá-lo ou sei lá, era como se eu o conhecesse, dos corredores, das saídas, mas eu não lembrava exatamente e foi quando me perdi no piso sujo por vergonha e ouvi atenta:

Eu sou o professor, querida.


5 de novembro de 2012

Maneiras de amar você



Equalizei teu sorriso quando ele passou perto da minha boca com aquele cheiro de hortelã e me hipnotizei quando enxerguei bem dentro dos teus olhos castanhos-claros, um nó de felicidade. Você aprendeu a dançar conforme a minha melodia e rodeou meu coração até encontrar a porta pra entrar, sem saber que estava dentro tentou escapar muitas e muitas vezes e só coube a mim te ensinar a voltar. Pedi desculpas pela minha esquizofrenia e te coloquei no mesmo lugar. Quando chegou a quarta-feira você pediu pra eu te acompanhar, eu me arrastava de preguiça, mas te acompanhava até o segundo andar. Cê me prendia na escada e eu ainda não conseguia te odiar. Enquanto eu lia poesia, você tentava decorar a sua fala e pedia pra eu te acompanhar, eu respondia com um sorriso e você sabia que minha fala seria: eu não sei atuar.

Os meus problemas se encaixavam na curva do seu pescoço e você me ensinava com um esboço, como tudo ia terminar. Quando eu seguia sua linha de raciocínio, eu me embolava feito linha e você tinha de me ajudar. Você fingia estar dormindo quando eu contava algo chato e quando sentia o meu silêncio me puxava para perto, eu decidia te beijar e esquecia muito fácil que precisava te ignorar. Nós seguimos nosso caminho torto e eu reclamava da escadaria, mesmo sabendo que eu faria aquilo mil vezes no dia, só pra te ver, só pra te ter, só pra ser a dona do lugar do seu bem querer. Então passei a não querer mais caminhar sozinha, você juntou os meus pedaços e me tirou da prateleira, me deu um abraço apertado e ficou ao meu lado a vida inteira.